TÉCNICAS DE CORAÇÃO CELULARES
ESPECIAIS
Opinião académica
O presente trabalho acadêmico apresenta
suma importância, por apresentar um caminho mais barato para a análise do lavado
broncoalveolar, o método usado na pesquisa veio tornar o estudo mais barato e
com mesmo padrão oferecido pelas modernas centrifugas disponíveis para estudo veterinário,
que pelo seu auto valor, as vezes torna a análise mais dificultosa. Sento assim
a pesquisa mostrou que o método usado tem muito a contribuir com a aplicação de
exames veterinários por ser eficiente e mais barato, ocasionando além de
economia um ganho considerável na qualidade de pesquisa e aplicação veterinária.
USO DA CITOCENTRÍFUGA E COLORAÇÕES
ESPECIAIS NO EXAME CITOLÓGICO DO LAVADO BRONCOALVEOLAR EM CAVALOS
Use of Spec ial Stain s in the
Cytologic al Exam of
Bronchoalveolar Lavage in Horses
Caron , P. E.4
Telles, J.E.Q.[6]
Resumo
O lavado broncoalveolar (BAL) com
auxílio de endoscopia é importante instrumento na avaliação citológica das vias
respiratórias inferiores em eqüinos, proporcionando um diagnóstico mais preciso
das diversas injúrias respiratórias. O objetivo do presente estudo foi avaliar
o uso da citocentrífuga associado a colorações especiais no exame citológico do
BAL em cavalos. Seis cavalos, provenientes do Regimento da Polícia Militar do
Paraná, foram utilizados no experimento; após contenção física dos animais e
passagem do endoscópio, foram introduzidos 300 ml de solução apirogênica
comercial, fracionada em três alíquotas de 100 ml, por sonda passada pelo canal
de trabalho do endoscópio até o brônquio caudodorsal direito. O líquido
infundido foi succionado com seringas de 60 ml, identificado, acondicionado em
gelo e encaminhado ao Laboratório de Patologia do Hospital de Clínicas da UFPR.
As amostras foram então submetidas à citocentrifugação (Citocentrífuga Revan,
2000D), sendo realizadas colorações de Giemsa, Papanicolau e Azul da Prússia. A
coloração de Giemsa permitiu visualização e identificação e quantificação
adequada dos diferentes tipos celulares. O uso da coloração Papanicolau
permitiu visualização por grumos celulares, bem como detalhada avaliação
nuclear. Finalmente, a coloração do Azul da Prússia permitiu visualização e
contagem dos hemossiderófagos. Em conclusão, a citocentrífuga preservou a
morfologia das células, em particular dos linfócitos, facilitando sua
visualização e reconhecimento; as colorações utilizadas permitiram adequada
visualização dos tipos celulares; a colheita e acondicionamento das amostras,
com posterior processamento em laboratório de patologia humana, mostrou-se uma
alternativa ao diagnóstico, particularmente pelo alto custo da citocentrífuga
exclusivamente para a medicina veterinária.
Palavras-chave: BAL, Citocentrífuga, Colorações
especiais.
Abstract
The broncoalveolar lavage (BAL) guided
by endoscopy is an important tool in the cytological evaluation of lower
respiratory tract, allowing a more precise diagnosis of the respiratory injures
in equines. The aim of the present study was to evaluate the use of
cytocentrifuge and special stains in the cytological examination of BAL.
Following physical restrain and endoscopy, 300 ml of commercial apyrogenic
solution, fractioned in three aliquotes of 100ml, was introduced into a
catheter through the endoscopic canal towards the right caudodorsal bronchio.
The infused fluid was suctioned with 60 ml syringe, identified, placed into ice
and transported to the Pathology Laboratory of the Medical Hospital of UFPR.
The samples were submitted to cytospin (Cytocentrifuge Revan, 2000D), and
stained with Giemsa, Papanicolaou and Perl’s Prussian Blue. Giemsa stain
allowed adequate visualization and identification of different cellular types.
The use of Papanicolaou stain allowed visualization through cellular clusters,
as well as detailed nuclear evaluation. Finally, Perl’s Prussian Blue allowed
hemosiderophage visualization and counting. In conclusion, the cytocentrifuge
adequately preserved the cellular morphology, particularly the lymphocytes,
facilitating visualization and recognition of cells; the performed stains
allowed adequate visualization of all cellular types; the sample collection and
handling, with processing in a human pathology laboratory may be an alternative
diagnostic procedure, particularly due to the high costs of cytocentrifuge
equipment exclusively for veterinary medicine.
Keywords: BAL, Cytocentrifuge, Special stain
Introdução
O lavado broncoalveolar (BAL) é a
técnica semiológica mais indicada na suspeita de afecções difusas do
interstício pulmonar ou do alvéolo e quando associado ao exame endoscópico
fornece uma boa avaliação visual das vias aéreas (ANDREASEN, 2003; HEWSON;
VIEL, 2003). O BAL tem sido descrito como uma “biopsia líquida”, sendo uma
amostra mais representativa que o lavado traqueal ou aspirado trans-traqueal, e
ainda apresentando outras vantagens como facilidade na realização, menor
invasividade e melhor tolerância pelo cavalo (MAZZAN; HOFFMAN, 2002).
Para a realização do lavado
broncoalveolar é utilizada uma sonda flexível, passada pelo canal de trabalho
do endoscópio ou cateter de silicone localizado nos brônquios, por onde
alíquotas de fluído isotônico podem ser infundidas pela luz do tubo e recuperadas
manualmente por seringas de 60 ml (ROY; LAVOIE, 2003). Deve-se cuidar para não
exercer uma pressão negativa exacerbada, o que poderia provocar o colabamento
dos brônquios, resultando em menor volume recuperado (MAZZAN; HOFFMAN, 2002).
Amostras de fluídos recuperados por
lavado traqueal apresentaram diferença na contagem de macrófago e linfócito
quando comparados ao lavado broncoalveolar, sendo os demais tipos celulares
encontrados em pequenas quantidades e em semelhantes proporções nas duas
técnicas (ERICKSON; POOLE, 2002). A ausência de células epiteliais cilíndricas
e células produtoras de muco podem ser um indicativo de colheita bem-sucedida,
pois demonstram que a colheita é proveniente da região alveolar e que não houve
traumatismos nas vias aéreas proximais. O BAL deve ser utilizado principalmente
para a avaliação citológica do fluído, pois a luz do tubo não é protegida e o
líquido recuperado pode conter bactérias provenientes das vias aéreas altas,
podendo fornecer resultados falsos (ROY; LAVOIE, 2003).
A maioria dos cavalos tolera bem o
exame endoscópico, não sendo necessária a contenção química; o uso do cachimbo
é normalmente suficiente nos animais para sua a contenção. No entanto, para se
evitar tosse excessiva e promover um melhor conforto ao animal durante a
passagem do endoscópio, a lidocaína (0,5%) pode ser utilizada para
dessensibilização da mucosa das vias aéreas baixas (ROY; LAVOIE, 2003).
Num lavado broncoalveolar normal, um
número moderado de células deve ser encontrado e proporções iguais de
macrófagos alveolares e linfócitos devem ser contados (FREEMAN; ROSZEL, 1997).
A variação dos tipos celulares do BAL e o reconhecimento do seu padrão
citológico são de grande importância não apenas para o diagnóstico, mas também
para o prognóstico ou condição clínica particular. A descrição do padrão
citológico é comum em medicina humana, mas ainda pouco utilizada na rotina
médico-veterinária (ROY; LAVOIE, 2003).
Lâminas confeccionadas com auxílio de
citocentrífuga podem ser utilizadas para a avaliação citológica e apresentam
como vantagem uma maior concentração de células por campo de visão do
microscópio, tornando a contagem celular mais fácil (HEWSON; HIEL, 2002). Seu
uso se torna particularmente crucial em situações em que o fluído a ser
analisado contenha quantidades menores que 2.000 células por ∝L, o que freqüentemente acontece com o BAL (SHELLY, 2003).
Embora a citocentrifugação melhore a
visualização dos tipos celulares, fazem-se necessários cuidados especiais no
seu processamento e análise. A pré-centrifugação da amostra de BAL antes da
citocentrifugação pode ser necessária quando o volume inicial obtido for muito
elevado; deve-se nestes casos desprezar o excesso de sobrenadante e o pelete
celular remanescente é ressuspenso e colocado na citocentrífuga (HEWSON; VIEL,
2003). A velocidade e o tempo de duração da citocentrifugação das amostras
provenientes do BAL também podem causar diferença na proporção dos tipos
leucocitários, principalmente na redução da média de linfócitos e macrófagos
contados (DE BRAUWER, 2000b). Sua análise deve ser ainda realizada de
preferência no centro do anel formado pela citocentrifugação, uma vez que
parece ser mais representativo da amostra (DE BRAUWER, 2000a).
As lâminas provenientes da
citocentrífugação são inicialmente coradas pelos métodos de Romanowski, que
incluem as colorações de Wright’s, Giemsa e May-Grüwald Giemsa, sendo que
outras colorações como a de Papanicolaou e Azul da Prússia podem ser também
utilizadas na rotina citológica (COWEL; VIEL, 1992). A coloração de
Papanicolaou, inicialmente utilizada para a visualização de células do
endométrio uterino, pode também ser utilizada para identificação de células
neoplásicas em exames citológicos do BAL em humanos (GABER, 2002). Lâminas
coradas pelo método de Azul da Prússia são utilizadas na rotina da medicina
humana para a observação de macrófagos com depósitos de ferro
(hemossiderófagos) no BAL, oferecendo um bom parâmetro do sangramento alveolar
que pode ocorrer em pacientes com trombocitopenia, pacientes transplantados
cardíacos e em fumantes em excesso (DE LASSENCE, 1995).
Material e métodos
Foram utilizados seis cavalos em
repouso e sem prévio exercício, de diferentes raças e condições respiratórias,
provenientes do Regimento da Polícia Militar do Paraná, localizado em Curitiba,
PR. Após contenção física dos animais, foi realizada a passagem do endoscópio e
a inspeção visual da faringe, laringe, traquéia e brônquios. Em seguida, uma
sonda flexível direcionada ao brônquio caudodorsal direito ou para os locais
com secreções ou sangramentos foi passada pelo canal de trabalho do endoscópio.
Pela sonda foram inoculados 300 ml de solução apirogênica comercial, fracionada
em três alíquotas de 100 ml. O líquido infundido foi recuperado por sucção
realizada com seringas de 60 ml, sendo identificado, acondicionado em gelo e
encaminhado ao Laboratório de Patologia do Hospital de Clínicas da UFPR. As
amostras foram então submetidas à prévia centrifugação e o pelete celular
formado foi ressuspenso e submetido à citocentrifugação (Citocentrífuga Revan,
2000D). Nas lâminas provenientes da citocentrífuga foram realizadas colorações
as colorações de Giemsa, Papanicolau e Azul da Prússia de cada amostra de BAL,
segundo os respectivos protocolos padrões de coloração. Estas lâminas foram
avaliadas posteriormente em microscópio quanto à celularidade, preservação das
células e coloração.
Resultados e discussão
Observou-se com o presente trabalho
que o método de colheita, o armazenamento e o processamento das amostras no
laboratório do serviço de anatomo-patologia do Hospital de Clínicas da
Universidade Federal do Paraná foram realizados com êxito, podendo este ser
utilizado em futuros trabalhos com lavado broncoalveolar.
Todas as lâminas apresentaram boa
celularidade e pouca presença de células degeneradas. A citocentrífuga
preservou a morfologia das células adequadamente, em particular os linfócitos,
contrastando com achados anteriores onde foi observado um decréscimo do número
deste tipo celular quando a amostra era submetida à citocentrifugação
(LAPOIENT, 1994). Assim, obteve-se maior facilidade em visualizar e reconhecer
os tipos celulares, como já referidos anteriormente, o que mostra ser esta uma
das maiores vantagens para o uso desta técnica (HEWSON; VIEL, 2002).
A coloração de Giemsa permitiu a
visualização e identificação adequada dos diferentes tipos celulares presentes
nas lâminas, incluindo macrófagos, neutrófilos, linfócitos, células ciliadas e
caliciformes. O uso da técnica de coloração de Papanicolau permitiu a
visualização pelos grumos celulares, bem como detalhada avaliação nuclear,
evidenciando bem as células epiteliais. Por fim, a coloração do Azul da Prússia
permitiu a visualização de raros macrófagos com pigmentos de hemossiderina
(hemossiderófagos), sugerindo hemorragia pulmonar crônica discreta em alguns
animais.
Conclusões
As colorações utilizadas no presente
trabalho permitiram a adequada visualização e reconhecimento de todos os tipos
celulares presentes no lavado broncoalveolar, sendo compatível com as
características necessárias em lâminas destinadas à análise laboratorial do
BAL. A colheita, o acondicionamento e o processamento no laboratório de
patologia humana mostraram-se alternativas viáveis ao diagnóstico de afecções
respiratórias em eqüinos, visto o alto custo da citocentrífuga para aquisição
na medicina veterinária.
Referências
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lavage. The veterinary clinics small animal practice, v. 33, p.
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[2] Docente
da Clínica Veterinária da FMVZ – Unesp / Botucatu – SP Rubião Junior s/n,
Botucatu CEP 18.618-000 calderon@fmvz.unesp.br.
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